Aluisio Farias, morador da região, conta como é a vida nos arredores de um dos projetos Ecomapuá

12 \12\UTC setembro \12\UTC 2014 at 12:01 Deixe um comentário


aluisio

Região do Projeto Ecomapuá

Desenvolvido na Ilha do Marajó (PA), um dos projetos da Ecomapuá, empresa brasileira de sustentabilidade, tem o objetivo de implementar a gestão sustentada visando a não emissão de carbono através da conservação florestal e manutenção da biodiversidade exclusiva da Ilha do Marajó. 

O projeto prevê a redução do desmatamento na região, proveniente da conservação florestal das áreas da Ecomapuá ao longo dos Rios Mapuá e Parauaú, com a participação das comunidades ribeirinhas na implantação de um modelo sustentável de serviços ambientais, incluindo um projeto de carbono por meio da conservação florestal (REDD, na sigla em inglês) que permite a geração quantificada de crédito de carbono. Este projeto REDD irá gerar uma fonte de renda a ser reinvestida no desenvolvimento de negócios sustentáveis, tais como a produção de açaí junto com as cooperativas comunitárias, educação ambiental, produção de mudas, reflorestamento de áreas degradadas, e melhoria no monitoramento do desmatamento nas áreas da Ecomapuá. Desta forma, estas atividades proporcionadas pelo projeto REDD podem representar uma fonte de receita complementar para as populações tradicionais.

Um dos beneficiados por esse projeto é Aluisio Farias, morador da região. Nesta entrevista, Aluisio conta como é a vida no local, marcado por um histórico de extrativismo e exploração madeireira, e relembra de alguns conflitos já superados na região. Ele também fala dos benefícios gerados pelo desenvolvimento de projetos que juntam aspectos sociais e ambientais, além de gerar benefícios econômicos para investidores e comunidades do entorno dos projetos.

Confira a entrevista:

Como está a vida na Ilha do Marajó?

Está boa. Tem uma reserva extrativista, que está bem movimentada. A situação está boa.

Tempos atrás, houve uma polêmica sobre a presença da empresa Ecomapuá, que desenvolve projetos de sustentabilidade na região. Como você vê a atuação da empresa na sua vizinhança?

O sindicato rural aconselhou o povo a não acreditar nele (Lap Chan, proprietário da empresa), por causa das terras que ele comprou. Quando fomos falar com o sindicato, eles (representantes do sindicato) fugiram. Eles nunca se encontraram conosco. O sindicato rural trabalhou contra nós. Eles não gostam da empresa e nem de mim. O povo das comunidades era contra os nossos projetos. Hoje, com tanta coisa que a gente tem feito, eu continuo trabalhando, ajeitando algumas coisas para o os projetos. Por isso, o pessoal daqui está chamando ele de volta. Algumas pessoas já acreditam que se ele estivesse aqui, seria melhor para eles.

Por qual motivo o sindicato fez isso?

Quando fizeram essa lei (Lei 197), eles tentaram expropriar o povo estrangeiro do Brasil. Foi esse o problema. No caso deles (sindicato), era desapropriar as madeireiras. Eles acabaram com as madeireiras e falavam que o Brasil não precisava de pessoa estrangeira para trabalhar.  Eu confiava só no povo estrangeiro, porque as maiores indústrias daqui eram estrangeiras. Eu apostei o tempo todo nas estrangeiras e o povo era aconselhado a não apostar. Mas, no entanto, o que as equipes da Ecomapuá fizeram? Promoveram projetos onde a gente trabalhava com peixe, frango. Eu ia para Belém comprar ração e dava para o povo daqui. Mas mesmo assim, o pessoal não dava apoio.

O sindicato foi mais forte?

Com certeza.

E hoje, eles continuam na região?

Não. Hoje até o pessoal da própria reserva está querendo conversar com a Ecomapuá.

Eles querem uma parceria?

Isso mesmo.

Então hoje a desconfiança é menor?

Eu acho que agora o povo está mais paciente.

Após a implantação dos projetos, as condições de vida melhoraram?

Infelizmente não, porque o povo não deu apoio. O trabalho que ele fez com os peixes não teve apoio do povo. O povo meteu na cabeça de não criar e deixaram morrer todos os peixes. Aí não deu para melhorar, né? Mas eu, como acreditei, criei frango, vendi tudo e ganhei meu dinheiro. Criei peixes também. Aí eu falei que ia dar dois mil peixes que eu tinha para o povo.

E o viveiro?

Nós construímos o viveiro. Era um projeto para enriquecimento de área e tinha uma proposta de venda de muda também. Eu tomo conta desse viveiro. Está desativado, mas a culpa não é minha e nem da Ecomapuá. Era para ser para plantar andiroba, açaí e outras oleosas. Eu plantei 108 mudas para cada morador.

Há histórias de alguns moradores que funcionários da Ecomapuá teriam obrigado os moradores do braço do Canta-Galo a saírem de suas terras sob ameaça física. Você teve problema ou conhece alguém que teve problemas com funcionários da empresa?

Isso não aconteceu não. Foi tudo inventado para tirarem ele (Lap) daqui. O pessoal falava que ele estava aqui para tomar a terra de todo mundo. Eu não acreditei e falava para o pessoal “você não sabe que ele nunca vai levar terra daqui para São Paulo, que ele mora em São Paulo?”.  Mas eles não acreditavam não. E tem outra coisa. O Lap nunca pretendeu expulsar ninguém das terras. Ele queria fazer o trabalho dele de conservação. Era plantar, enriquecer as áreas pobres com plantio de virola, andiroba, as plantas oleoginosas.

E hoje, como é o pensamento da população em relação aos projetos?

Eles querem entender os projetos. Eles querem ouvir a voz do Lap. Eu falo para você, o Lap é uma pessoa muito boa. Ele dava almoço e jantar para mais de 200 pessoas no Mapuá e o povo não entendia que ele era uma boa pessoa. Ele fazia reuniões com o pessoal para explicar o que estava fazendo, perguntava o que o povo precisava e o povo virava as costas para ele. De 2004 para cá eu passei muito bem com o Lap.

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