A sustentabilidade empresarial e a tomada de decisão de investidores

20 \20\UTC agosto \20\UTC 2013 at 11:00 Deixe um comentário


“Sustentabilidade”, que provém do latim sustentare (sustentar; defender; favorecer; apoiar; conservar; cuidar), é um conceito que começou a ser discutido em 1972, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano – realizada na Suécia – com base na degradação do meio ambiente causada pelo Homem. Após 41 anos, o conceito evoluiu a passos largos, ganhando abrangência de todos os setores da sociedade e passando a interferir consideravelmente no comportamento não só de pessoas como também de grandes empresas.

A velha e ultrapassada visão de que a bandeira da sustentabilidade é defendida apenas por ambientalistas utopistas já não vigora mais no mundo contemporâneo. Hoje, o conceito está fora do campo do “achismo” e o “desenvolvimento sustentável” está em pauta em todo o mundo, com propostas e ações concretas que vão muito além da reciclagem, reflorestamento ou assistencialismo. Atualmente, vemos a disseminação de novos conceitos-base, que ampliam a visão da sustentabilidade ao aprofundar a consciência – das esferas pública, privada e social – do potencial de risco ou oportunidade que os aspectos socioambientais têm para a perenidade da economia capitalista e dos modelos de negócio vigentes.

Neste cenário, muitas empresas passam a adotar práticas sustentáveis e, como consequência, vem comprovando que essas atitudes corporativas trazem melhora nos resultados financeiros no longo prazo e ainda ampliam seu potencial de atrair mais investimentos.

De acordo com um estudo publicado pela BM&FBovespa, chamado “O Valor do ISE – Índice de Sustentabilidade Empresarial”, diversas pesquisas realizadas ao redor do mundo mostram resultados convergentes no sentido de comprovar ganhos tangíveis do investimento sustentável e responsável, como maior rentabilidade e maior valor de mercado. De acordo com o Estudo, no Brasil, as empresas que integram a carteira do ISE – da BM&FBovespa – apresentam um valor de mercado de 10% a 19% superior em relação às demais.

Quanto aos ganhos intangíveis, o Estudo concluiu que na perspectiva das empresas, a participação em iniciativas voluntárias focadas em sustentabilidade traz um valor que pode ser mensurado por meio de ganhos de reputação e também pelo compartilhamento de experiências na comunidade empresarial.

Embora os estudos que mostram os ganhos financeiros e institucionais da sustentabilidade para as companhias sejam relativamente recentes, é crescente a parcela de investidores que pautem suas decisões também na incorporação da sustentabilidade à estratégia por parte das companhias.

Um dos fatores que pesam no desenho dessa tendência é o fato de que empresas que incorporaram os princípios da Sustentabilidade na sua gestão têm – por conta do maior conhecimento dos riscos e oportunidades do negócio – uma chance maior de realizar uma gestão de risco mais eficiente e, consequentemente, são consideradas pelos investidores um porto mais seguro para abrigar os seus investimentos de longo prazo.

Após a crise financeira que atingiu a economia mundial em 2008, muitos investidores repensaram seus critérios de investimento e passaram a olhar com mais fundamento e profundidade para a gestão dos riscos dos negócios e suas estratégias de atuação no longo prazo; em outras palavras: empresas “sustentáveis”.

De acordo com uma matéria publicada na IR Magazine, uma pesquisa mundial concluiu que o engajamento corporativo direto por parte dos investidores aumentou 20% em relação aos últimos resultados e que 53% dos investidores têm diminuído ou não investido em determinadas empresas devido às preocupações com o aquecimento global.

A reportagem conta que algumas “campanhas de desinvestimento” têm gerado muita repercussão e – também – alguns resultados efetivos, além de, possivelmente, venda de determinadas ações. A “campanha de desinvestimento” realizada pelos estudantes da universidade de Harvard, intitulada “Divest for Our Future” (“Desinvestir para o nosso Futuro”, em tradução livre) culminou na contração de um novo vice-presidente de investimento sustentável para a Instituição, que irá gerenciar o orçamento de 30,7 bilhões de dólares que a Universidade possui para doação para pesquisa. Neste caso, os estudantes querem que os recursos de Harvard não sejam destinados para as 200 maiores companhias extratoras, comercializadoras e grandes compradoras de combustíveis fósseis.

Posto este cenário, fica evidente que a sustentabilidade está transformando a relação entre as companhias e seus investidores. De maneira geral, o mercado tem apresentado uma sofisticação contínua, com cada vez mais participantes adotando estratégias sustentáveis e, com isso, tem crescido a demanda por transparência e clareza das práticas adotadas. Por conta disso, iniciativas que visam sua sustentação em longo prazo têm sido cada vez mais utilizadas pelas grandes empresas e passam a ser vistas gradualmente como um caminho sem volta e, possivelmente único, para a continuidade do negócio em um planeta futuro com cada vez mais gente e cada vez menos recursos naturais.

Fonte: blog da Ricca RI (16/08/2013)
Texto: Barbara Calache

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