Estudo canadense prevê aquecimento global por séculos

8 \08\UTC fevereiro \08\UTC 2011 at 8:03 Deixe um comentário


O dióxido de carbono já liberado na atmosfera vai continuar contribuindo para o aquecimento global durante séculos, podendo causar o derretimento de um enorme “lençol” de gelo da Antártida e o aumento dos níveis do mar, disseram cientistas canadenses.

De acordo com os pesquisadores, ainda que os combustíveis fósseis deixassem de ser usado, continuaria o aquecimento do oceano da Antártida, bem como a desertificação na África do Norte.

No entanto, muitas das consequências negativas no hemisfério norte, como a redução de gelo no Ártico, são reversíveis. Isso significa que os esforços globais para reduzir os gases de efeito de estufa não são um desperdício de esforço e dinheiro, disse Shawn Marshall, professor de geografia da Universidade de Calgary e um dos autores do estudo.

– Mas há alguns elementos do clima que apresentam muita inércia e que levarão muitos séculos para começarmos a revertê-los.

O estudo, liderado por Nathan Gillett, do Centro Canadense de Modelagem e Análise Climática, foi publicado na revista Nature Geoscience.

Usando simulações com um modelo climático, os pesquisadores estimaram os efeitos sobre os padrões de clima para os próximos mil anos, com a interrupção completa das emissões em 2010 e em 2100.

De acordo com Marshall, a atmosfera se resfria rapidamente quando os gases atmosféricos são reduzidos, assim como a água da superfície do mar, “mas o resfriamento não atinge as águas profundas do oceano por um longo tempo”.

Correntes de vento no hemisfério sul também podem contribuir para o processo.

Como resultado, nos próximos mil anos, a temperatura média do oceano ao redor da Antártida pode aumentar em até 5°C, provocando o colapso do manto de gelo da Antártida Ocidental, de acordo com o estudo.

A eliminação do manto de gelo, que cobre uma área do tamanho do Texas e tem até 4.000 metros de espessura, poderá elevar os níveis do mar em vários metros.

Os impactos do clima reduzirão a umidade em partes do norte da África em até 30%.

As simulações mostram grandes diferenças em algumas partes do mundo. Porém, entre reduzir as emissões em 2010 ou em 2100, surgem variações de temperatura entre 1°C e 4°C, representando um argumento para a ação de redução imediata das emissões de dióxido de carbono, disse Marshall.

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