Uso de glicerina por cerâmica é destaque em revista

29 \29\UTC julho \29\UTC 2010 at 18:16 2 comentários


O excesso de glicerina no mercado brasileiro, gerado pela produção de biodiesel, já é um problema conhecido. Desde então, muitas pesquisas são realizadas para absorver de alguma maneira esse excedente do produto. A revista BiodieselBR, publicação mais importante sobre o assunto no país, discutiu a situação atual da produção de glicerina no Brasil e suas possibilidades de uso. Um dos destaques da revista foi a Cerâmica Trevo, de Nova Alvorada do Sul (MS), que utiliza glicerina como combustível do seus fornos. Como a glicerina é uma biomassa renovável, a cerâmica reduziu as emissões dos gases causadores do efeito estufa e passou a gerar créditos de carbono.

A glicerina é a manchete da revista, intitutalda “Transbordando Glicerina”, que aponta que “enquanto as usinas dão destinos inusitados e às vezes perigosos para o produto, a comunidade científica mobiliza esforços para encontrar novos usos. Acompanhe trecho do texto escrito pelo repórter Fábio Rodrigues. O título da reportagem é “Risco de Afogamento –  Puxado por uma produção de biodiesel que não pára de crescer, o volume de glicerina vai transbordando dos tanques de uma indústria que ainda tenta ignorar o problema”.

“Um problemão. Em seu formato resumido, é esse o significado da enxurrada de glicerina que a indústria de biodiesel continua despejando no mercado. E não importa o quanto os fabricantes possam torcer o nariz para o fato: a verdade é que mais ou menos 10% de todo biodiesel processado sai da usina na forma de glicerina. No ano passado, quando a indústria gravitou entre o B3 e o B5, essa fatura fechou em 160 milhões de litros, e  se tudo correr bem com o B5, em 2010 teremos que dar conta de uns 230 milhões de litros de glicerina. É muita coisa.

O tamanho do desafio fica mais claro se levarmos em conta as dimensões modestas do mercado brasileiro para este produto. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), em 2008 a capacidade instalada da indústria nativa do setor de glicerina estava na casa dos 41,5 milhões de litros para uma demanda que não passava dos 30 milhões de litros. Mesmo sem a intromissão inoportuna da indústria do biodiesel, o mercado nacional já estaria perfeitamente servido.

Entender como se montou a armadilha da glicerina não écomplicado. Com a oferta do petróleo na corda bamba e o aquecimento global mostrando os dentes, o apoio à utilização de biocombustíveis – biodiesel incluído – tem crescido tanto que ninguém deu bola para os danos colaterais que essa nova indústria poderá provocar. Todo mundo sabe que um crescimento explosivo na indústria do biodiesel catapultaria a produção de glicerina a níveis que beiravam a irresponsabilidade e, embora os pesquisadores tenham se debruçado sobre o tema, a indústria não se preocupou em pensar no que fazer com a glicerina que entraria no mercado da noite para o dia.

“Minha impressão é que as empresas entraram no setor de biodiesel sem estudar opções  de mercado para a glicerina, sem antecipar que o aumento na escala de produção levaria a um colapso nos preços”, lamenta o professor Luiz Pereira Ramos, do Departamento de Química da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Queima

Há quem defenda a queima da glicerina diretamente nas caldeiras das usinas. Existem pelo menos dois contratempos nessa estratégia. O primeiro deles é a acroleína, substância altamente cancerígena que pode se formar se a queima da glicerina não acontecer de forma controlada; a outra dificuldade, segundo Cláudio Mota, é que a glicerina de biodiesel contém muito sal, e isso não é nada bom para os equipamentos. “Quando você queima isso na sua caldeira, os sais ficam lá dentro e causam problemas graves de corrosão nos equipamentos”, comenta.

Esses obstáculos não foram o bastante  para desanimar a Sustainable Carbon, empresa especializada em projetos de geração de créditos de carbono. No ano passado, a Cerâmica Trevo, do Mato Grosso do Sul, trocou a lenha por glicerina nos fornos utilizados para queimar os 240 mil tijolos que ela produz mensalmente. Embora a glicerina seja bem mais cara do que a lenha, o plano é que os quase 25 mil euros provenientes da venda das 5 mil toneladas de CO2e que o projeto deve render ao ano compensem os investimentos e custos adicionais. “É importante deixar claro que a acroleína só é emitida se a glicerina for queimada a até 300 ºC. Depois disso, ela se degrada. Então, você precisa acompanhar a temperatura da queima cuidadosamente e só injetar a glicerina depois dessa temperatura”, explica o engenheiro da Sustainable Carbon ,Gabriel Toledo Piza, que acompanhou o projeto. Quanto ao sal, a glicerina é entregue pela fornecedora purificada.

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2 Comentários Add your own

  • 1. Elvis  |  31 \31\UTC outubro \31\UTC 2012 às 1:07

    qual é o equipamento correto para queimar a glicerina em fornos de cerâmica e quem produz.

    Elvis

    Responder
    • 2. Sustainable Carbon  |  6 \06\UTC novembro \06\UTC 2012 às 12:37

      Olá Elvis. Favor entrar em contato com nossa equipe técnica: (11) 2649-0036.

      Responder

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