Cerâmicas do RJ ganham destaque na imprensa

8 \08\UTC junho \08\UTC 2010 at 18:44 Deixe um comentário


As cerâmicas Santa Izabel e Sulamerica, de Itaboraí, no Estado do Rio de Janeiro, foram destaque na última edição do caderno quinzenal Razão Social, do jornal O Globo, um dos maiores do país. As cerâmicas foram a manchete do caderno, intitulado “Cerâmicas dão a volta por cima”. Acompanhe o texto escrito pela repórter Camila Nobrega, que visitou as duas cerâmicas. O título da reportagem é “Menos Impacto”.

Com as mãos sujas de fuligem, um dos mais antigos funcionários da cerâmica Santa Izabel, do município de Itaboraí, no Rio de Janeiro, faz questão de explicar que tirou as luvas só por um segundo, porque elas ainda incomodam. Em seguida, antes mesmo de ser questionado, ele, que só então se apresenta como Auncilênio de Oliveira, assume também a responsabilidade por ter cortado as mangas do uniforme da empresa. Desde 1996, Auncilênio trabalha na Santa Izabel, e por isso ainda não se acostumou com a nova política da fábrica, mais preocupada com a segurança do trabalhador, implantada principalmente nos útlimos três anos. Durante mais de dez anos, ele foi submetiddo a condições árduas de trabalho, com cargas horárias excessivas, salários baixos e falta de segurança, práticas que antes eram consideradas comuns pelo setor.

Masa situação está mudando para ele e outras centenas de trabalhadores, desde que algumas cerâmicas da região aderiram a uma gestão mais sustentável. Começaram a fazer um programa de redução de emissões de carbono devido à substituição do óleo por biomassa obtida de resíduos de madeira. Em paralelo, foram feitas mudanças na estrutura social das companhias, com acompanhamento da empresa Sustainable Carbon.

Cerâmica Santa Izabel

O objetivo principal era mudar o status do setor, que figurava entre os líderes dos mais poluidores e com uma das piores condições de trabalho no estado. Agora, quase cinco anos após o início dos primeiros projetos, as cerâmicas já vendem créditos no mercado de carbono voluntário. Para se ter uma ideia, as cerâmicas que implantaram projetos negociaram, só no ano de 2009,765 mil créditos no mercado voluntário, o que corresponde a 765 mil toneladas evitadas de CO2 (dióxido de carbono), paracompradores que vão desde a Natura até parques da Disny, passando por grifes como a Osklen. Os valores de compra, porém, não são revelados, pois oscilam muito.

Dono da fábrica Santa Izabel, que existe desde 2959 em Itaboraí,  EdézioGonzalez é um dos que mais tem apostado nas mudanças. Edézio é de um tempo no qual as duras condições de trabalhonas cerâmicas eram vistas como naturais pelos empresários e aceitas pelos trabalhadores. Hoje, o empresário corre atrás do tempo para entender as aplicações da expressão responsabilidade social, iniciada, na prática, há apenas três anos pela empresa. De quebras, Edézio ainda está tendo que se alfabetizar no emaranhado de conceitos associados ao mercado de carbono. Mas, apesar das dificuldades e do longo caminho a ser percorrido ainda, ele não se arrepende de ter aceitado o desafio. “Há 50 anos, nem se ouvia falar em responsabilidade social. E, além disso, a gente usava lenha nativa para a queima. Só se falava sobre produção e não havia restrições ambientais. Depois, susbstituímos o combustível por óleo, que usamos até 2004, quando as questões ambientais já estavam mais fortes. Por fim, contratamos a Sustainable Carbon. Isso tudo melhorou a relação com os funcionários, pois, hoje, ninguém aceita trabalhar nas condições que eram oferecidas antigamente.”

Andando pela fábrica da Santa Izabel, é possível perceber que a empresa ainda tem um longo caminho para minimizar os impactos inerentes à atividades de produção  de tijolos, produto principal da marca. Perto dos fornos que recebem a biomassa, por exemplo, os trabalhadores convivem com altas temperaturas e, em muitas partes da fábrica, há muita poeira. Além disso, a poeira que é resultante da combustão dos resíduos de madeira, considerada poluente, ainda não passa pelos filtros, sendo lançada apenas semi-limpa.

Cerâmica Sulamerica

Mesmo assim, os avanços apontados por “Seu” Edézio, como é conhecido naregião, são realmente notáveis. A substituição do combustível fóssil pela biomassa já gerou uma redução verificada de 28,55 mil toneladas de CO2 entre os anos de 2006 e 2008, parte delas já negociadas no mercado voluntário de créditos de carbono. Segundo Edézio, embora a renda gerada por esse mercado ainda esteja longe de ser suficiente para cobrir os custos de adaptação, os benefícios já fazemm o projeto valer a pena. “A única venda que fechamos até agora foi muito pequena perto dos custos que estou tendo com as mudanças, mas acho que meu esforço será reconhecido pelo mercadoem breve.”

Antigo conhecido de cerâmicas da região e agora atuando na Sustainable Carbon, o engenheiro que assina o projeto, Antonio Cubano, foi a ponte entre as empresas e a consultoria. Ele explicou que, no primeiro pagamento, o Banco Mundial já desembolsou R$ 62 mil para a Santa Izabel, mas disse que não é possível divulgar o preço combinado por tonelada negociada, já que ele é muit instável no mercado voluntário de carbono. O engenheiro aposta que o mercado está mais aquecido e que, em breve, os empresários já conseguirão recuperar os gastos feitos com adaptação. “Há empresas que fazem uma série de exigências na hora de escolher de que projeto vão comprar créditos para compensar suas emissões. Por isso, hoje em dia não se pode apenas pensar em eficiência energética e matriz limpa, é preciso pensar também no componente humano, nos funcionários. Estou sempre buscando, junto com os empresários, formas de melhorar as condições de trabalho”, disse ele, que atua nas 12 cerâmicas que aderiram ao programa no Estado do Rio de Janeiro.

Segundo Cubano, a avaliação das cerâmicas é feita por meio de notas atribuídas pela Sustainable Carbon a diferentes setores da empresa. Sendo acompanhada há quatro anos, a ceramica Sulamerica é uma das que já melhoraram bastante as notas de avaliação da Sustainable Carbon desde que entrou no processo. No período de 2006 a 2009, ela evitou a emissão de 23,3 mil toneladas de carbono na atmosfera e, no último ano, recebeu avaliações mais altas em quase todos os quesitos.

Quem acompanha de perto todo o processo é o dono da fábrica, Ricardo Siqueira, que está à frente da gestão da fábrica há 30 anos. Ele foi um dos primeiros a aderir ao projetoo, e também um dos mais otimistas, apesar de ainda não ter negociado seus créditos de redução de CO2 verificada no mercado voluntário. Sua fábrica hoje já ampliou significativamente o número de mulheres entre os empregados, faz captação de água da chuva e possui vários dos sistemas de melhoria e eficiência energética descritos por Cubano. Ainda assim, Siqueira também assume que o processo é longo e há muito o que melhorar. Na lista dele está, por exemplo, a escuridão no local, que deixa o ar da fábrica ainda mais pesado, problema que ele está tentando resolver com a instalação de telhas quase transparantes, para favorecer a entrada da luz solar. Já na lista dos funcionários, está a ampliação do diálogo. “Comecei essa empreitada depois da ECO-92, quando surgiu uma pressão imensa em cima dos ceramistas, e tivemos que nos adequar. Depois disso, teste usar gás e sempre estou buscando as melhores alternativas, pois a gente não pode ficar esperando ser exigido de um dia para o outro. Agora, estamos investindo na biomassa, mas ela também não é barata. A questão é montar um sistema que seja viável, fazendo com que os resíduos de madeira, que iriam para os lixões, venham para as fábricas.

Siqueira defende uma parceria entre o setor público e o privado, para desenvolver um programa de gestão de resíduos de madeira, incentivando a separação do aterial e o trabalho de famílias da própriaa região de Itaboraí, onde há diversas cerâmicas, algumas delas já usando a biomassa como combustível e outras iniciando esse processo.

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