Fabricante de móveis é exemplo de sustentabilidade

11 \11\UTC maio \11\UTC 2010 at 17:57 Deixe um comentário


Escritório central da Herman Miller

Reportagem especial do cardeno Planeta, do jornal O Estado de S. Paulo, mostra como o fundador da fabricante de móveis Herman Miller, criou nos anos 50 normas verdes, que em 1989 foram aprofundadas por funcionários. Acompanhe como se deu o desenvolvimento sustentável dessa empresa, no texto de Alice Lobo, entitulado “Sentando na cadeira do patrão”.

Fabricante de móveis de escritório que fatura US$ 1,6 bilhão por ano, a americana Herman Miller tem mais de 50 prêmios de boas práticas socioambientais. Pioneira, adotou em meados do século passado uma política ambiental interna, a Policy 53, concebida pelo seu fundador, D.J. De Pree. O que torna o caso da Hermman Miller singular, porém, é a mobilização dos funcionários. Nos anos 80, eles se uniram para cobrar o cumprimento das normas verdes criadas pelo patrão e adotá-las ao pé da letra.

De Pree fundou a Herman Miller em 1923. “Seremos bons comissários do meio ambiente”, afirmou 20 anos depois, quando baixou a Policy 53. Hoje, a gigante americana é referência em design sustentável. Foi também uma das fundadoras da United States Green Building Council, órgão que faz a certificação de prédios verdes nos Estados Unidos – sua sede, a Green House (casa verde), serviu de referência para o selo verdeLeadership in Energy and Environmenal Design (Leed).

Para chegar a esse estágio, a Herman Miller dependeu do compromisso dos funcionários. O movimento iniciado em 1989 por 15 gerentes levou, dois anos depois, à criação do Environmental Quality Action Team, que hoje tem mais de 400 funcionários divididos em oito equipes. São elas as responsáveis pelo cumprimento de diretrizes como design sustentável, adoção de processos industriais de baixo impacto ambiental e de redução de  consumo de energia.

Modelo Embody: R$ 5,3 mil

Em 2003, foi lançado o primeiro produto seguindo o protocolo McSonough Braungart Design Chemistry, criado pela equipe de “design pelo meio ambiente” da Herman Miller: a cadeira Mirra. O protocolo estabeleceu uma espécie de certificação interna para avaliar o material empregado na fabricação dos móveis nos quesitos composição química, reciclagem, desmontagem e reutilização.

Atender a todas essas especificações exige tempo e investimento. O projeto da cadeira Embody, por exemplo, consumiu seis anos de trabalho e US$ 12 milhões. Vendida por R$ 5,3 mil, ela tem 12 anos de garantia.

Quartel General – As equipes internas também criaram padrões rígidos para as instalações a Herman Miller. A Village Green, quartel general internacional da empresa, em Chippenham, Inglaterra, recebeu grau de excelência do selo Leed e da instituição britânica Building Research Estabilishment Environmental Assessment Method (Bream), que analisa a sustentabilidade de edifícios. Foi concebido, aliás, para isso: obter o nível mais alto de certificação tanto em termos de construção quanto de gestão sustentável.

Com 2 mil metros quadrados deárea construída, a Village Green tem um sistema de ventilação natural que dispensa o ar condicionado. “A face norte é inteira de vidro, o que garante que 95% das mesas tenham vista para fora e 75% tenham luz natural o dia todo”, diz Luke Dawson, relações públicas da empresa.

Os carpetes usados são todos de material reciclável. As tintas, adesivos e solventes utilizados nas instalações têm baixa emissão de elementos tóxicos. Além disso, a empresa usou na obra fornecedores locais de material de construção, localizados a até 30 quilômetros de distância.

Os copos e talheres descartáveis são biodegradáveis. Os funcionários também são estimulados a ir trabalhar de bicicleta: a Village Green tem estacionamento de bike e vestiário com armários e chuveiros. “As pessoas precisam se importar com assuntos da empresa que vão além do trabalho”, diz Mike Grigg, gerente comercial da Herman Miller no Reino Unido.

Assista ao vídeo da  visita que a repórter Alice Lobo fez pela fábrica da empresa

Evolução de projetos e materiais da Herman Miller

– 1991
Cadeiras Eames Lougen, 29% reciclável.
Versão original era feita de jacarandá brasileiro. A partir dos anos 90, a madeira passou a vir de reflorestamento.

– 1994
Cadeiras Aeron, 94% reciclável. Pelo design e ergonometria, ganhou espaço no Museum of Modern Art de Nova York.

– 1999
Estação de trabalho, 89% reciclável. Tem 1/3 do peso das estações convencionais; é fácil de ser desmontada para reciclagem.

– 2003
Cadeira Mirra, 96% reciclável. Primeira a seguir as normas ambientais do grupo de trabalho criado por funcionários em 1989.

– 2005
Celle, 99% reciclável.
No fim da sua vida útil, pode ser desmontada em 5 minutos.

– 2008
Embody, 95% reciclável.
Segundo a Herman Miller,  a fábrica onde é feita a Embody produz menos lixo que muitas residências.

– 2009
Setu, 93% reciclável
. Composta de alumínio, plástico e aço. A cadeira não utiliza PVC.

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